Quem sabe eu ainda sou uma garotinha

Sunday, August 19, 2007

02 de dezembro de 1991

Querido Diário,

Não sei, mas acho que hoje eu não escrevo tudo.
Bom, de noite as meninas vieram aqui porque a minha mãe foi na casa da Maria. Quando acordei foi tão legal, foi aquela sensação gostosa. Depois, no ônibus, furou o pneu. Chegamos lá e ficou eu, tia Cida e a mamãe. Nosso quarto era o 120. Depois, no outro dia, fomos escalar um morro, quase morri de cansaço. Depois, a tarde, fomos andar de trenzinho até o Balneário. NA sexta feira fomos no Balneário ver a feira de artesanato. Compramos muitas coisas. A tarde fomos eu, tia Cida e mamãe comprar mais coisas, eu comprei um chicletes que vem em uma caixinha de BadAid. Um pouquinho mais a tarde teve um jogo dos garçons do hotel contra os meninos do Pinheiro Júnior. De noite, foi um conjunto tocar lá e depois a Adriana aprontou algumas coisas que eu não vou contar. Depois a minha mãe fez uma reunião para ir embora. Chegamos e fomos almoçar na tia Noêmia. Fiquei lá com a Medéia.
A saudades de Águas de Lindóia foi tanta que eu chorei muito.
Bom, passei de ano. Alguns dias antes da formatura teve um pic nic no bosque. Na mesma semana da formatura do Renato, a tia Noêmia viajou para Campos do Jordão, Ubatuba, Guarujá.

(Continuação em 21 de dezembro de 1991)
Hoje é sábado, falta 5 dias para o Natal. Mas hoje é dia 21, no dia 23 a 29 eu vou para Cananéia. Olha, foi por pouco que o Brás não vai junto. Mas agora é seu Antônio que vai. Ontem eu fui no aniversário da Medéia. Foi legal, Estou esperando a Lúcia ligar para eu lá.
Beijos!

PS: Eis o relato da grande viagem dos meus 10 anos de idade. Uma garotinha da terceira série poder participar da viagem de formatura da oitava, dava certa popularidade.
Mas o que eu me lembro da viagem foi isso: fazer passeios, comprar coisas, nadar na piscina. O pessoal adolescente lembra de melhores, como a Adriana, que tentou fugir com um cara da banda que tocou na última noite no hotel.
Sobre a formatura da turma do meu irmão, eu tenho uma fita gravada que me ajuda a lembrar da cerimônia. Mas algo que eu não esqueço é que a minha mãe comprou um vestido lindo para eu usar. A minha ansiedade (sempre ela) foi tanta que arranquei a etiqueta dele com muita força e fiz um rasgo bem no meio dele. A minha mãe me fez usá-lo com uma tremenda remenda aparecendo, pra eu aprender a lição.

Lá vamos nós para outra viagem, dessa vez para cananéia, com a família.

13 de novembro de 1991

Querido diário,

Ai diário, eu estou ansiosa porque a viagem foi transferida para o dia 20 de novembro, daqui há uma semana certinha. Tô aqui esperando o Renato chegar da Ed. Física para pegar a minha bicicleta e andar pra caramba. Não sei, mas acho que até a viagem você vai ficar na gaveta porque eu vou ficar muito ocupada. Advinha quem vai? A Laura! Eu quero ficar eu, a Laura, minha mãe e a Vera em um quarto de quatro. Sabe, a hora não passa. Quanto mais ansiosa eu fico, mais demora pra passar a hora. Inté, Beijos, Adeus, Tchau!

PS: Eu "desestressava" andando de bicicleta "pra caramba" naquela época. Era uma Ceci, de aro 16, toda cor de rosa.
Esse momento de ansiedade é característico da minha personalidade até hoje. Sempre preferi esperar pela festa...era uma sensação boa, melhor até do que o próprio evento. Depois a sensação de "E agora José..." era muito triste.
Adianto: não, a Laurinha não foi na viagem conosco. Apesar da mãe dela ser professora da escola também, esse provilégio era para poucos...

09 de novembro de 1991

Ai Diário, hoje parecia sexta feira 13. Foi só acordar, trocar a roupa e descer as escadas que eu chego lá em baixo e o pneu está no chão. Ficamos 1 hora esperando o Tio Zé e depois que ele chega, pra variar, as meninas trazem a bicicleta e eu sou obrigada a emprestar a minha. Depois a minha mãe vai no Prado e o Renato sai e joga a chave. Ficamos pra fora de casa! Graças a Deus o Croco conseguiu pular o muro e pegar a chave. Diário, eu não estou triste, mas um pouco menos ansiosa. Tchau!

PS: Uns probleminhas banais e eu achava que o dia era digno de ser considerado sexta feira 13! Nessa época tinhamos o hábito de sair de casa e jogar a chave por baixo da porta (existe um espaço pra isso). O próximo que saísse que pagava a chave no chão. Só que, as vezes, alguém esquecia que não tinha mais ninguém em casa e jogava a chave pra dentro, e deixava todo mundo preso pro lado de fora. Sempre um vizinho tinha que pular o muro e abrir para nós. Depois de cerca de dois anos desse episódio, eu vou ganhar a minha própria cópia da chave de casa. Acho que mais por preguiça de ficarem abrindo e fechando a porta pra mim do que por mostra de confiança.
Hoje eu ainda tenho um receio muito grande de ficar trancada pra fora de casa (pois vivo perdendo a chave na rua) que um monte de gente tem a cópia da chave do meu apartamento (O Tsu, a Deborah, a Giselle).
Mas fiquei com uma dúvida agora: Minha mãe não sabe trocar pneu?